

Ministrantes: SILVA, L. R. da; GONCALVES, E.
Colaboração docente: ZAMORANO, P.; PASTEN, M..
Evento: Docência ITR Chile 2026 (ISYTECH)
Data: 5 e 6 de setembro de 2026 | Local: Santiago, Chile
Carga horária: 30 horas (16 presenciais + 14 EAD)
Modalidade: Híbrida
Instituição: Instituto TJR Torneio Juvenil de Robótica
1. Contexto e Justificativa
A oficina "Educação de Humanos e Robôs na Educação Básica: Lidando com Etnoconhecimento e Divergências Humanas na prática" foi concebida como uma resposta à necessidade urgente de repensar a integração tecnológica na Educação Básica a partir de uma perspectiva culturalmente sensível e humanamente inclusiva. Partiu-se da premissa de que a robótica educacional, frequentemente apresentada como uma tecnologia universal e neutra, carrega em si valores e epistemologias que podem entrar em conflito com os saberes locais e com a diversidade dos sujeitos aprendentes.
O tema central articula três eixos fundamentais:
O Etnoconhecimento e as Culturas Locais: Reconhecimento de que cada comunidade possui formas próprias de conhecer, fazer e resolver problemas — saberes que precisam ser valorizados e integrados ao currículo, em vez de subalternizados pela tecnologia.
As Divergências Humanas (Espectro Autista e outras neurodivergências): Compreensão de que a diversidade cognitiva é inerente à humanidade e que práticas pedagógicas inclusivas exigem flexibilidade, escuta ativa e múltiplas linguagens.
A Robótica Educacional como Ponte: Uso da robótica não como um "fim técnico", mas como um meio para promover diálogos entre saberes locais e tecnologias globais, respeitando os diferentes ritmos, estilos e modos de aprender.
A oficina partiu da constatação de que a formação de professores em robótica educacional, no Brasil e na América Latina, raramente aborda essas duas dimensões — a cultural e a neuroinclusiva — de forma integrada e crítica, o que limita o potencial transformador da tecnologia na escola.
2. Objetivos
Geral: Capacitar educadores da Educação Básica para planejar e implementar práticas com robótica educacional que integrem, de forma crítica e criativa, os saberes das culturas locais (etnoconhecimento) e as especificidades das divergências humanas (espectro autista e outras neurodivergências).
Específicos:
Compreender o conceito de etnoconhecimento e sua relevância para a desconstrução do "colonialismo tecnológico" na educação.
Identificar as potencialidades da robótica como mediadora para o desenvolvimento de habilidades sociais, cognitivas e motoras em alunos neurodivergentes.
Vivenciar, na prática, a construção de projetos de robótica que partam de problemas reais das comunidades locais (ex: saberes indígenas, ribeirinhos, quilombolas ou questões urbanas periféricas).
Elaborar planos de aula ou adaptações curriculares que integrem robótica, etnoconhecimento e acolhimento às divergências humanas.
3. Metodologia e Estrutura
A oficina, com carga horária de 30 horas distribuídas em 16h presenciais (nos dias 5 e 6 de setembro) e 14h em atividades assíncronas (EAD), foi organizada em cinco módulos complementares, todos conduzidos de forma participativa e baseada na metodologia de aprendizagem ativa e problematizadora:
Módulo 1 – Fundamentação Teórica (EAD - 4h):
Atividades assíncronas com leituras dirigidas, videoaulas e fóruns de discussão sobre: (a) etnoconhecimento e decolonialidade na educação; (b) neurodivergências e práticas inclusivas; (c) robótica educacional como ferramenta de mediação cultural e cognitiva.
Módulo 2 – Imersão Presencial: Diálogos e Territórios (Presencial - 4h - Dia 1):
Sessão presencial com dinâmicas de grupo para mapear os saberes locais trazidos pelos próprios participantes (professores de diferentes regiões do Chile e da América Latina). Discussão sobre como as culturas locais podem inspirar desafios de robótica — por exemplo, robôs que simulam processos agrícolas tradicionais, que reproduzem brincadeiras indígenas ou que resolvem problemas ambientais da comunidade.
Módulo 3 – Mão na Massa: Prototipagem Colaborativa (Presencial - 8h - Dias 1 e 2):
Os participantes, divididos em equipes, vivenciaram a construção de protótipos robóticos a partir de desafios inspirados em etnoconhecimentos e nas necessidades de alunos neurodivergentes. Cada equipe foi desafiada a:
Escolher um saber local ou uma prática cultural como ponto de partida.
Adaptar a complexidade da atividade para diferentes faixas etárias e perfis de aprendizagem (autistas, TDAH, disléxicos, etc.).
Documentar o processo de criação e as adaptações realizadas.
Módulo 4 – Reflexão e Planejamento (EAD - 6h):
Atividades assíncronas em que cada participante elaborou um plano de aula ou um projeto interdisciplinar para sua realidade escolar, integrando robótica, etnoconhecimento e estratégias de acolhimento às neurodivergências. Os planos foram compartilhados em um ambiente virtual colaborativo para troca de feedbacks.
Módulo 5 – Socialização e Devolutiva (Presencial - 4h - Dia 2):
Sessão presencial final com apresentação dos protótipos construídos e dos planos de aula elaborados. Cada equipe compartilhou sua experiência, os desafios enfrentados e as aprendizagens sobre como conciliar tecnologia, cultura local e inclusão. Houve um debate plenário sobre os próximos passos e a continuidade das práticas nas escolas.
4. Resultados e Impactos
A oficina evidenciou, na prática, que a robótica educacional, quando ancorada em uma perspectiva decolonial e neuroinclusiva, deixa de ser um instrumento técnico descolado da realidade para se tornar um potente vetor de transformação curricular e social. Os professores participantes relataram:
Ampliação da compreensão sobre etnoconhecimento, superando a visão de que a tecnologia "importada" é superior aos saberes locais.
Percepção de que a robótica pode ser um espaço de afirmação cultural, permitindo que alunos e comunidades se reconheçam nos projetos desenvolvidos.
Apropriação de estratégias concretas para adaptar atividades robóticas a alunos com autismo (previsibilidade, clareza e mediação social), TDAH (engajamento ativo e feedback imediato) e outras neurodivergências.
Valorização da escuta ativa e do diálogo intercultural como competências essenciais para o professor que atua com robótica.
Interesse em continuar aprofundando o tema, sinalizando a necessidade de redes de formação continuada que articulem tecnologia, cultura e diversidade.
5. Conclusão
A oficina "Educação de Humanos e Robôs na Educação Básica: Lidando com Etnoconhecimento e Divergências Humanas na prática" cumpriu seu propósito de conectar a prática educacional à ciência do futuro, alinhando-se à missão do ISYTECH e do Docência ITR de transformar a Educação Básica por meio da tecnologia. Ao integrar currículo, cultura, tecnologia e diversidade, a experiência demonstrou que a robótica, quando bem fundamentada e criticamente orientada, é uma ferramenta poderosa para construir uma escola mais justa, inclusiva, criativa e comprometida com os saberes e as identidades de todos os estudantes.